sábado, 4 de junho de 2011

Cura da SIDA poderá nascer em Portugal!

Investigadores portugueses do IMM irão trabalhar durante 12 meses em laboratório para encontrar toxina que destrua genoma viral do HIV

Uma equipa de investigadores portugueses propuseram-se a construir uma proteína que mate as células com o genoma do Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) e, se forem bem sucedidos, dentro de seis anos estará à venda o primeiro medicamento contra o vírus, «made in» Portugal.

A agência Lusa noticia que João Gonçalves da Faculdade de Farmácia e do Instituto de Medicina Molecular (IMM) e orientador do projecto ficou surpreendido com a atribuição do prémio da Fundação Bill & Melinda Gates que financiou a pesquisa, «não por a ideia ser arriscada, mas devido à concorrência que é grande», disse.

A trabalharem num laboratório com 12 pessoas, três delas dedicam-se apenas a este projecto que pretende «eliminar o HIV dentro das pessoas infectadas» e, assim, «curar a SIDA».

«No fundo, o que queremos é dar às pessoas uma proteína construída por nós no laboratório e que entre nas células das pessoas, encontre o genoma do HIV e mate as células com o genoma viral, não matando as outras», disse.

João Gonçalves sublinhou que, até ao momento, «todas as estratégias que têm sido feitas para lutar contra o HIV, nomeadamente as vacinas, combatem as proteínas virais, mas o vírus muda as proteínas».

«O que vamos fazer não é atacar as proteínas virais, mas encontrar no Ácido Desoxirribonucleico (ADN) do vírus as zonas que não mudam nunca», disse o investigador que explicou que «as proteínas vão identificar as zonas do HIV que não mudam, activando uma toxina para levar ao suicídio das células com o genoma viral».

Esta é «uma abordagem totalmente diferente» ao nível dos tratamentos contra o HIV e, segundo João Gonçalves, representa um desafio, mas baseado na experiência: «Não somos novos nesta área». «Temos dados que nos permitem dizer que o grau de sucesso vai ser elevado», avançou.

Projecto foi escolhido entre 2500.
O projecto «Nanotechnology against viral latency: Sensor strategies to eliminate HIV-1 infected cells» foi escolhido entre 2500 apresentados para financiamento pela Fundação Bill & Melinda Gates, que apoia investigadores em todo o mundo a explorarem formas audaciosas e não-ortodoxas para a resolução de problemas de saúde pública em países em vias de desenvolvimento.

O projecto será desenvolvido em laboratório durante de 12 meses e será financiado em 100 mil dólares.


Se os resultados desta primeira fase forem promissores, o investigador pode ser de novo financiado pela Fundação Bill & Melinda Gates, com um milhão de dólares para a produção em larga escala das nanopartículas terapêuticas, e para testes in vivo aplicados em ratos e macacos.


João Gonçalves acredita que se os resultados forem positivos e depois de testados em doentes infectados, dentro de seis anos este medicamento poderá estar à venda.
Este é o segundo investigador ligado ao IMM a ser financiado pela Fundação Bill & Melinda Gates, depois de, em 2010, Miguel Prudêncio vencer uma bolsa Grand Challenges Exploration para desenvolver uma vacina contra a malária.


Outra equipa de investigadores do IMM foi recentemente galardoada com o Prémio NEDAI/MSD de Investigação em Auto-Imunidade. O trabalho foi desenvolvido no Instituto Gulbenkian da Ciência e Serviço de Reumatologia do Hospital de Santa Maria, que aponta para avanços na prevenção da Artrite Reumatóide. 


Por: Ana Lino

1 comentário:

  1. força com isso, e nao desistam mesmo que a vossa pesquise vos leve a um beco sem saida x). Desistir eh que nao :D

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